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O verão é a estação mais quente e colorida do ano. E com a chegada dele, roupas ficam mais coloridas e descontraídas, muita gente quer pegar uma corzinha e até as frutas da estação deixam a mesa mais viva e mais colorida. E os carros continuam a exibir em suas carrocerias preto e prata – e mais recentemente, branco.
Salvo raras exceções no trânsito, ainda podemos observar que as três cores acima reinam absolutas. E tons de cinza (que tecnicamente é uma mistura de preto e branco) juntam-se ao trio Preto, Prata – que também é um cinza – e Branco.
Algumas pesquisas encomendadas pela indústria e também um pouco de observação pessoal nos permitem observar que a preferência de cor muda um pouco nas diversas regiões brasileiras. Lembro-me ter visto carros mais coloridos no Nordeste e no Centro Oeste em comparação com Sudeste, mais precisamente São Paulo e Rio de Janeiro.
Algumas coincidências pesam contra a escolha de uma cor. Por exemplo, branco em São Paulo é a cor dos táxis. Portanto modelos médios e grandes e minivans brancos são garantia de alguns acenos de pessoas menos atentas pensando que seu carro é um táxi. Já aconteceu comigo.
As montadoras já estão tonalizando seus brancos, uns meio azulados outros perolados e assim por diante. Kia Cadenza oferece um branco pérola perolizado. Existe branco metálico, todavia não lembro de ter visto aqui no Brasil. O que impera por aqui é o branco liso. A Volks chegou a oferecer na década de 1990 os modelos Gol, Santana e Quantum em tom branco perolizado. E por falar em Santana, que foi um carro que vendeu muito, eu me recordo de ter visto somente uns dois em tom vermelho vivo (pintura lisa) durante toda minha vida.

Alguns Vectra da primeira geração ofereceram vermelho vivo também. O Cruze deveria oferecer. Fica lindo nesta cor. Ainda na linha Chevrolet, Corsa e Celta em amarelo ficam bonitos. Mas são raridade. Desconfio que todos eles foram parte de uma série chamada Piquet e foram sorteados pelo Faustão e pela Bombril (ou seria Assolam?).
A propósito, ao meu ver, em muitos casos a cor faz o carro. Porsche amarelo, Ferrari vermelha e Jaguar verde oliva são ícones. A pintura saia-e-blusa de Kombi, D20, Monza Classic e Opala Diplomata fizeram história. E denotavam um capricho de uma era menos robotizada no processo de pintura.
Bem como as finas faixas brancas ou pretas que marcaram a linha de cintura de Opala e Landau, por exemplo. Outros tons não ajudaram muito o pobre do carro. Exemplo? Aquele marrom café duco que a Volks disponibilizou para Brasília, Fusca e Passat nos anos 70. Fuscão Preto só mesmo na música.
Esta mesmice é culpa de quem? Das montadoras ou do consumidor? Creio que mais do consumidor que, talvez devido a sucessivas décadas de crise econômica, passou a ver cada vez mais o carro como um patrimônio e ficou com medo de ousar na cor para não perder dinheiro na revenda.

Houve sim tentativas dos fabricantes em diversificar a palheta de cores nas duas últimas décadas. A Fiat lançou o Palio e a Ford o Fiesta nacional, ambas em 1996, oferendo verde “marca-texto” e laranja metálicos. A Fiat ofereceu Tempra roxo, azul metálico e vermelho “Ferrari” liso.
A Volks disponibilizou Gol bola vermelho Vitória. Curiosa cor que desbotava e deixava o carro Pink após alguns anos. E continuou a tentativa no Polo nacional, com seus tons azul, roxo e dourado. Trouxe alguns Seat Ibiza amarelo liso. Depois disso, a ousadia acabou ficando apenas para aventureiros como CrossFox e Gol Rallye, esportivados e esportivos como Golf Sport e GTI e séries alusivas à Copa do Mundo Ainda no quesito “A culpa é de quem?”, o consumidor, apesar de algumas tentativas da indústria, parecia não ter olhos para nada que não fosse preto e prata e algum cinza médio e escuro. Por dentro, a lógica das cores sóbrias continuou. Sumiram painéis e estofados marrom, vinho, azul e bege. E ficaram preto e cinza. Cromados também foram desprezados nos anos 1990 e 2000.
Por outro lado, veio a onda Tuning, depois do ano 2000. E quem quisesse ver cores mais alegres, fossem elas lisas ou metálicas, poderia ir a encontros e salões e apreciar cores como lilás, pink, amarelo e laranja por fora (destaque para as pinturas “candy” que lembram textura de balas e pirulitos e as “camaleão” que conforme ângulo e luz mudam de tom por completo).

Por dentro a ousadia continuava, com tons caramelo, vermelho, branco e amarelo, entre outros. Nos customizados, ao contrário dos originais de fábrica, a ousadia é bem-vinda. O ano de 2010 foi interessante no que se refere a novas cores.
O Novo Uno trouxe de volta cores vivas. Destaque para seu amarelo citrus (ué, não é verde?) e seu azul splash. São cinco opções de cores lisas, ou básicas. O que é interessante, pois vale lembrar que uma cor metálica adiciona cerca de R$ 1000,00 ao preço final do carro. Neste mesmo ano o Kia Soul reforçou o vermelho e trouxe algumas unidades de um verde metálico, tipo verde-limão.
O mesmo fez a GM com Agile e em seguida com a Montana. Apostou nos verdes. Mas pelo visto eram cores de lançamento. Lembra-se do laranja metálico do Vectra GT? Também era cor de lançamento. Não fazia parte do catálogo.
A BMW e a Kia resgataram o marrom metálico. E o New Fiesta, também em 2010, trouxe cores alegres. E as manteve em 2011 e 2012. Novo Kia Picanto também veio alegrinho em 2011. Que assim seja: cores alegres e vivas para o nosso país tropical.
Onde não falta calor, mas os consumidores fogem de cores quentes e de carros conversíveis, cujos preços fora do verão despencam no mercado de usados. E quando novos, as vezes não emplacam. Alguém lembra do VW Eos e Golf Cabrio?
E daqui pra frente, caro leitor? Será que o mundo automotivo voltará a ser mais colorido? Mudam as pessoas, mudam os comportamentos, surgem novos consumidores (GLS, por exemplo)…mas as cores dos carros parecem estar num certo descompasso com as tendências da vida e da moda, não é mesmo? Você está disposto a abrir mão do seu pratinha básico e experimentar novas cores no seu carro? |